sábado, 12 de outubro de 2013

Quase/Casa


"Emerson Dionísio . texto para o livro MARCELO MOSCHETA, editora BEI, 2011


A imensidão dos espaços nos quais é possível se perder afina-se estranhamente ao pormenor, delicado, tecnicamente calculado. Expansão e paralisia. A espontaneidade é evitada, e o processo de pesquisa, de tão minucioso, oferece-se como componente inevitável para a produção de um leve rumor no tempo; um quase-silêncio, que se ampara sob a matéria, cuja indiferença em relação a nossa consciência nos oferece mais quietude que sentido. Os mecanismos e as técnicas estão a um passo do ilusionismo. Todavia, o desejo anônimo esvazia a vaidade tecnológica; restam-nos imagens- laboratório. Próximas, mas irrealizáveis fora da poética que a constituiu. Tudo isso oferece pouco apoio, pode paralisar alguém ou deixá-lo cair num universo unívoco e estéril, não fosse a presença do afeto-frio da memória e a do silêncio-opaco do território: elementos tão próximos quanto intangíveis, eis a beleza sem medo, ou quase."

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